Tabatinga, 10 de setembro de 2017

“Os povos indígenas têm o direito coletivo de viver em liberdade, paz e segurança, como povos distintos, e não serão submetidos a qualquer ato de genocídio ou a qualquer outro ato de violência...”. (DPI Art 7º # 2)

A Diocese do Alto Solimões, ao tomar conhecimento do suposto massacre dos índios isolados conhecidos como flecheiros que teria acontecido no mês de agosto deste ano no rio Jandiatuba, na Terra Indígena do Vale do Javari, e envolvendo garimpeiros que trabalham no local, quer manifestar seu máximo repúdio a este e a todo ato de violência para com nossos irmãos indígenas, denunciar os prejuízos que a mineração provoca há anos no rio Jandiatuba e lamentar o patrocínio pelo poder público federal a mineração que está ao serviço do capitalismo selvagem em detrimento das minorias, especialmente dos Povos Indígenas.
Pede que o Governo Federal assuma com firmeza seu papel subsidiário na política indigenista respeitando e protegendo as terras demarcadas e completando as demarcações na calha do Jandiatuba e garanta uma efetiva proteção das áreas indígenas fortalecendo as Bases de vigilância da FUNAI, que nestes últimos anos sofrem com o descaso e os cortes de recursos. 
Manifesta seu total apoio ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que as investigações iniciadas possam ter seu desenvolvimento e levar aos mandantes e executores deste vil crime, auspicando que seja feita efetiva justiça.
Reafirma com palavras do papa Francisco que “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos e das culturas, dando assim provas de compreender que o desenvolvimento dum grupo social supõe um processo histórico no âmbito dum contexto cultural e requer constantemente o protagonismo dos atores sociais locais a partir da sua própria cultura” (Encíclica Laudato Si’ n. 144).
Agradece as muitas manifestações de solidariedade e apoio de bispos e entidades que nos chegaram nestes dias pelos diferentes meios de comunicação.
Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Diocese, interceda e proteja a quantos, pela ganância e sede de lucro de poucos, são ameaçados e desrespeitados em seus direitos.
Dom Adolfo Zon Pereira, s.x.