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Dados eclesiais e eclesiásticos da Igreja Católica no Chile 

Dados eclesiais e eclesiásticos da Igreja Católica no Chile 

Pesquisa do Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciência a Religião da PUC-SP Email: fajr@pucsp.br    Território: 656.950 quilômetros quadrados. Línguas oficiais: espanhol e idiomas nacionais indígenas. Atualmente 17.403.000 habitantes, dos quais 12.883.000 católicos, ou seja, 74 % da população, segundo estatísticas publicadas pela Santa Sé. O Pew Research Center mostra um índice de 64% no ano 2014. Há 27 circunscrições eclesiásticas, sendo 5 arquidioceses ou sedes metropolitanas, 19 dioceses, 1 prelazia territorial, 1 vicariato apostólico e  1 ordinariato militar. Existem 954 paróquias, 4.068 centros de atendimento pastoral.  São 52 bispos chilenos vivos em 15/12/2017: 3 cardeais arcebispos, 1 núncio apostólico, 4 arcebispos, 5 arcebispos eméritos, 19 bispos diocesanos, 6 bispos auxiliares, 1 prelado na ativa, 1 vigário apostólico, e 12 bispos eméritos.  Trabalham no país como agentes da pastoral: 2.415 sacerdotes (1.182 do clero secular e 1.233 do clero religioso ou regular), 1.029 diáconos permanentes, 476 membros dos institutos seculares, 1.611 missionários leigos, 384 irmãos, 659 seminaristas maiores, 4.303 religiosas consagradas, 46.282 catequistas. Batizados em 2012 foram 131.995 novos membros.  Os irmãos protestantes, de igrejas da Reforma e anglicanos, segundo o PEW Research Center são 17%, os sem religião 16 %, e há 3 % de outros credos religiosos que incluem judeus, muçulmanos, testemunhas de Jeová e tradições indígenas.  Os primórdios da evangelização remontam a uma primeira paróquia datada de 1547. A primeira diocese Santiago de Chile foi erigida em 27/06/1561. Foi indicado como primeiro bispo Mons. Rodrigo González de Marmolejo (27/06/1561 – faleceu em 09/10/1564).     Padroeiros: Nossa Senhora do Carmo, São Tiago Maior, São Francisco Solano.    27 Circunscrições eclesiásticas católicas no Chile:  1. Antofagasta (Arquidiocese) 2. Aysén (Vicariato Apostólico) 3.    Chile, Militar (Ordinariato Militar) 4.    Chillán (Diocese) 5.    Concepción (Santissima Concezione) (Arquidiocese) 6.    Copiapó (Diocese) 7.    Illapel (Prelazia Territorial) 8.    Iquique (Diocese) 9.    La Serena (Arquidiocese) 10.    Linares (Diocese) 11.    Melipilla (Diocese) 12.    Osorno (Diocese) 13.    Puerto Montt (Arquidiocese) 14.    Punta Arenas (Diocese) 15.    Rancagua (Diocese) 16.    San Bernardo (Diocese) 17.    San Carlos de Ancud (Diocese) 18.    San Felipe (Diocese) 19.    San Juan Bautista de Calama (Diocese) 20.    San Marcos de Arica (Diocese) 21.    Santa Maria de Los Angeles (Diocese) 22.    Santiago de Chile (Arquidiocese) 23.    Talca (Diocese) 24.    Temuco (Diocese) 25.    Valdivia (Diocese) 26.    Valparaíso (Diocese) 27.    Villarrica (Diocese) Vacantes: Valdívia.   Bispos do Chile atualmente:  1.    Cardeal Jorge Arturo Augustin Medina Estévez, Prefeito Emérito da Congregação para a Liturgia e a disciplina dos Sacramentos, Cúria Romana, não eleitor.  2.    Cardeal Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago de Chile, eleitor. 3.    Cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa, P. Schönstatt, Arcebispo Emérito de Santiago de Chile, não eleitor. 4.    Arcebispo Bernardino Piñera Carvallo, Arcebispo Emérito de La Serena 5.    Arcebispo Cristián Caro Cordero, Arcebispo de Puerto Montt 6.    Arcebispo Fernando Natalio Chomalí Garib, Arcebispo de Concepción (Santissima Concezione) 7.    Arcebispo Francisco José Cox Huneeus, P. Schönstatt, Arcebispo Emérito de La Serena 8.    Arcebispo Ignacio Francisco Ducasse Medina, Arcebispo de Antofagasta 9.    Arcebispo Ivo Scapolo, Núncio Apostólico para Chile 10.    Arcebispo Manuel Gerardo Donoso Donoso, SS.CC., Arcebispo Emérito de La Serena 11.    Arcebispo Pablo Lizama Riquelme, Arcebispo emérito de Antofagasta 12.    Arcebispo Patricio Infante Alfonso, Arcebispo Emérito de Antofagasta 13.    Arcebispo René Osvaldo Rebolledo Salinas, Arcebispo de La Serena 14.    Bispo Alberto Jara Franzoy, Bispo Emérito de Chillán 15.    Bispo Alejandro Goic Karmelic, Bispo de Rancagua 16.    Bispo Andrés Arteaga Manieu, Bispo auxiliar de Santiago de Chile 17.    Bispo Bernardo Miguel Bastres Florence, S.D.B., Bispo de Punta Arenas 18.    Bispo Carlos Eduardo Pellegrín Barrera, S.V.D., Bispo de Chillán 19.    Bispo Celestino Aós Braco, O.F.M. Cap., Bispo de Copiapó 20.    Bispo Cristián Carlos Roncagliolo Pacheco, bispo auxiliar de Santiago de Chile 21.    Bispo Cristián Enrique Contreras Molina, O. de M., Bispo de San Felipe 22.    Bispo Cristián Contreras Villarroel, Bispo de Melipilla 23.    Bispo Enrique Troncoso Troncoso, Bispo Emeritus de Melipilla 24.    Bispo Francisco Javier Prado Aránguiz, SS.CC., Bispo Emeritus de Rancagua 25.    Bispo Francisco Javier Stegmeier Schmidlin, Bispo de Villarrica 26.    Bispo Galo Fernández Villaseca, Bispo Auxiliar de Santiago de Chile 27.    Bispo Gaspar Francisco Quintana Jorquera, C.M.F., Bispo Emérito de Copiapó 28.    Bispo Gonzalo Duarte García de Cortázar, SS.CC., Bispo de Valparaíso 29.    Bispo Guillermo Patricio Vera Soto, Bispo de Iquique 30.    Bispo Héctor Eduardo Vargas Bastidas, S.D.B., Bispo de Temuco 31.    Bispo Horacio del Carmen Valenzuela Abarca, Bispo de Talca 32.    Bispo Jorge Enrique Concha Cayuqueo, O.F.M., bispo auxiliar de Santiago de Chile 33.    Bispo Jorge Patricio Vega Velasco, S.V.D., Prelado de Illapel 34.    Bispo Juan de la Cruz Barros Madrid, Bispo de Osorno 35.    Bispo Juan Ignacio González Errázuriz, Bispo de San Bernardo 36.    Bispo Juan Luis Ysern de Arce, Bispo Emérito de San Carlos de Ancud 37.    Bispo Juan Maria Florindo Agurto Muñoz, O.S.M., Bispo de San Carlos de Ancud 38.    Bispo Luigi Infanti della Mora, O.S.M., Vigário Apostólico de Aysén 39.    Bispo Luis Fernando Ramos Pérez, Bispo auxiliar de Santiago de Chile 40.    Bispo Luis Gleisner Wobbe, Bispo auxiliar Emérito de La Serena 41.    Bispo Manuel Camilo Vial Risopatrón, P. Schönstatt, Bispo Emérito de Temuco 42.    Bispo Marco Antonio Órdenes Fernández, Bispo Emérito de Iquique 43.    Bispo Moisés Carlos Atisha Contreras, Bispo de San Marcos de Arica 44.    Bispo Óscar Hernán Blanco Martínez, O.M.D., Bispo de San Juan Bautista de Calama 45.    Bispo Pedro Felipe Bacarreza Rodríguez, Bispo de Santa Maria de Los Angeles 46.    Bispo Pedro Mario Ossandón Buljevic, Bispo auxiliar de Santiago de Chile 47.    Bispo Rafael de la Barra Tagle, S.V.D., Prelado Emérito de Illapel 48.    Bispo Santiago Jaime Silva Retamales, Bispo do Ordinariato militar  49.    Bispo Sergio Otoniel Contreras Navia, Bispo Emérito de Temuco 50.    Bispo Sixto José Parzinger Foidl, O.F.M. Cap., Bispo Emérito de Villarrica 51.    Bispo Tomás Osvaldo González Morales, S.D.B., Bispo Emérito de Punta Arenas 52.    Bispo Tomislav Koljatic Maroevic, Bispo de Linares Cardeais chilenos foram seis em toda história da Igreja Católica chilena:  1.    Mons. José María Caro Rodriguez, arcebispo de Santiago de Chile (23/06/1866-04/12/1958), feito cardeal por Pio XII em 18/02/1946. 2.    Mons. Raúl Silva Henríquez, SDB, (27/09/1907-09/04/1999), arcebispo de Santiago de Chile, criado cardeal por João 23 em 19/03/1962.  3.    Mons. Juan Francisco Fresno Larraín, (26/07/1914-14/10/2004), arcebispo de Santiago de Chile, criado cardeal por João Paulo II em 25/05/1985. 4.    Mons. Carlos Oviedo Cavada, O. de M., (19/01/1927-07/12/1998), arcebispo de Santiago deChile, criado cardeal por João Paulo II em 26/11/1994. 5.    Mons. Francisco Javier Errázuriz Ossa, P. Schönstatt (05/09/1933- ), Arcebispo Emérito de Santiago de Chile, feito cardeal por João Paulo II em 21/02/2001. Cardeal não eleitor. 6.    Mons. Jorge Arturo Augustin Medina Estévez (23/12/1926- ), Prefeito Emérito da Congregação para a Liturgia e a disciplina dos Sacramentos, Cúria Romana, criado cardeal por João Paulo II, em 21/02/1998. Cardeal não eleitor. 7.    Mons. Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B. (07/01/1942- ), com 75,85 anos, arcebispo de Santiago de Chile, criado cardeal por Francisco em 22/02/2014, cardeal eleitor. Só três bispos chilenos presentes ao Concílio Vaticano I de 08/12/1869 a 20/10/1870:  1.    José Hipólito Salas y Toro †, Bispo de Concepción, Chile; Idade: 57.3 2.    José Manuel Orrego Pizarro †, Bispo de La Serena, Chile; Idade: 52.7 3.    Rafael Valentín Valdivieso y Zañartu †, Arcebispo de Santiago de Chile; Idade: 65.1   Os participantes chilenos durante o Concílio Vaticano II de 1962 a 1965 foram 35 bispos.  Estão vivos: 1.    Bernardino Piñera Carvallo,  franco-chileno nascido em Paris, arcebispo emérito de La Serena, Chile, sessões 1, 2, 3 e 4. 2.    Savino Bernardo Maria Cazzaro Bertollo, OSM, italiano nascido em Abbazia Pisani, arcebispo emérito de Puerto Montt, Chile, sessões 3 e 4.   Participantes chilenos na II Conferência do CELAM em Medellín no ano de 1968 foram 7 bispos. Todos já haviam estado presentes no Concílio Vaticano II de 1962 a 1965 em Roma. Um deles está vivo: Mons. Bernardino Piñera Carvallo. 1.    Mons. José Manuel Santos, †, ©, bispo de Valdívia, Chile, presidente da Conferência Episcopal chilena, Chile. 2.    Mons. D. Augusto Osvado Salinas Fuenzalida, †, ©, bispo de Linares, delegado substituto da Conferência Episcopal do Chile, de Linares, Chile. 3.    Mons. Francisco de Borja Valenzuela Ríos, †, ©, arcebispo de Antofagasta, representante da Conferência Episcopal do Chile. 4.    Mons. José del Carmen Valle Gallardo, †, ©, bispo de Iquique, representante da Conferência Episcopal do Chile. 5.    Mons. Manuel Sanchéz Beguiristán, †, ©, arcebispo de Concepción, Chile, nomeado pelo papa. 6.    Mons. Juan Francisco Fresno Larraín, †, ©, arcebispo de La Serena, membro da Comissão Episcopal do Departamento de Comunicação Social do CELAM, nomeado pelo papa, de La Serena, Chile. 7.    Mons. Bernardino Piñera Carvallo, VIVO, ©, bispo de Temuco, do Chile.   Também estiveram presentes outros nove representantes (padres, religiosas e leigos) do Chile durante a II Conferencia Geral do Episcopado em Medellín:  1.    Mons. Rafael Larraín E., S.J., sacerdote da Companhia de Jesus - jesuíta, representante do clero, de Santiago, Chile. 2.    Pe. Manuel Edwards P., SS.CC., sacerdote religioso da Congregação dos Sagrados Corações, Presidente da CLAR, de Santiago, Chile.  3.    Pe. Beltrán Villegas M., SS.CC., Congregação dos Sagrados Corações, da Junta Diretiva da CLAR, de Santiago, Chile. 4.     Pe. Egídio Viganó, S.D.B., Salesianos de Dom Bosco, presidente da Conferência dos Superiores Maiores do Chile, da Junta Diretiva da CLAR, de Santiago, Chile. 5.    Pe. José Joaquin Matte Varas, Diretor do ICLA-Chile, Instituto Catequético Latino-americano do CELAM, de Santiago, Chile. 6.    Pe. Pierre Bigó, francês, perito, Diretor do ILADES em Santiago-Chile e Bogotá-Colômbia, e do Centro de Investigación y Acción Social – CIAS, de Santiago, Chile.  7.    Pe. Renato Poblete, S.J., sacerdote jesuíta, perito, sociólogo do ILADES, de Santiago, Chile.  8.    Pe. Jorge A. Medina E., perito, teólogo e professor de teologia, de Santiago, Chile.  9.    Sr. José Aguillera B., leigo, dirigente latino-americano do MOAC, de Santiago, Chile.   Alguns religiosos mártires da história recente da Igreja chilena, na ditadura do general Augusto Pinochet:      1.    José Patricio León; Leigo; Animador da JEC e militante político; 04/01/1975.  2.    Carlos Prats e sua esposa Sofia Cuthbert; Leigos; 30/09/1974.  3.    Pe. Gerardo Poblete Fernandéz; sacerdote salesiano; 21/10/1973.  4.    Pe. Juan Alcina Hurtós; missionário da Catalunha; Sacerdote diocesano; 19/09/1973.  5.    Pe. Andrés Jarlan Pourcel; missionário francês; 04/09/1984.  6.    Pe. Antonio Llidó Mengual; missionário de Valencia; Sacerdote diocesano; 25/10/1973.  7.    Omar Venturelli Leonelli; Ex-sacerdote; 04/10/1973.  8.    Arturo Hillerns; Leigo, Médico; 15/09/1973.  9.    Pe. Miguel Woodward Yriberry; chileno-britânico; Sacerdote diocesano; 18/09/1973.  10.  German Cortés; Leigo; ex-seminarista dos missionários da Sagrada Família; 18/01/1978.  11.   Etienne Marie Luis Pesle de Menil; missionário francês; ex-sacerdote; 19/09/1973.
                                Viagem do Papa Francisco ao Chile e ao Peru pode ajudar a restaurar a confiança na Igreja

Viagem do Papa Francisco ao Chile e ao Peru pode ajudar a restaurar a confiança na Igreja

Em suas últimas viagens ao exterior, Papa Francisco lidou com algumas das questões geopolíticas mais difíceis do mundo. Em setembro, ele viajou para a Colômbia para apoiar um acordo de paz impopular com militantes da guerrilha. Em novembro, foi a Mianmar para chamar a atenção global na perseguição do governo à minoria muçulmana rohingya. A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 08-01-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla, publicada do site IHU. Agora, o Papa está se preparando para embarcar em uma viagem ao Chile e ao Peru que pode redirecionar o foco da política para os problemas internos da comunidade da Igreja. Observadores locais e importantes expatriados dizem que o centro das atenções durante a visita, que acontece de 15 a 21 de janeiro, pode ser como Francisco pode ajudar a Igreja chilena a recuperar a credibilidade após uma recente onda de casos de abuso sexual do clero. Para complicar essa possibilidade, dizem os observadores, há a própria abordagem de Francisco sobre a questão dos abusos, principalmente a nomeação do bispo Juan Barros Madrid de Osorno, Chile, em 2015. Juan Barros foi acusado de encobrir o abuso de um importante padre nos anos 80 e 90. Mario Paredes, que aconselhou tanto o Vaticano como os bispos dos Estados Unidos sobre questões latino-americanas durante décadas, disse que esperava que o Papa ajudasse a hierarquia do Chile a "restaurar a credibilidade que se perdeu nos últimos anos". "Não importa como se considera, esses casos foram horrendos, escandalosos, e a Igreja perdeu credibilidade", disse Paredes, natural do Chile, que agora é diretor da Advocate Community Partners, uma rede de médicos de cuidados primários em Nova York. "Espero que ele faça um forte apelo por uma Igreja realmente transparente [e] verdadeira." Mas o padre Jesuíta Antonio Delfau, ex-editor de longa data da revista jesuíta Mensaje, do Chile, disse que a nomeação de Juan Barros prejudica o que Francisco deve conseguir atingir quando estiver no país. "Um dos bispos nomeados por este papa é um bispo que foi interrogado... não apenas pelas pessoas do lugar, mas também pela maioria dos outros bispos", disse Antonio Delfau, que agora reside em Roma e atua como assistente do tesoureiro geral da Cúria dos jesuítas. "Isso é um grande problema." Juan Barros, que foi líder da diocese militar do Chile até Francisco transferi-lo para Osorno, uma pequena cidade do sudeste, em 2015, foi acusado de proteger o Pe. Fernando Karadima, que foi condenado pelo Vaticano a uma vida de oração e penitência em 2011. Apesar de seu envolvimento no crime não ter sido comprovado no julgamento canônico de Fernando Karadima, vítimas dizem que o bispo destruiu correspondência incriminatória do padre. Outras vítimas alegam que o próprio Juan foi testemunha de alguns casos de abuso sexual. Filmado falando com um chileno no meio da multidão durante uma audiência geral em maio de 2015, no Vaticano, o Papa disse que pessoas estavam julgando Barros "sem provas" e chegou a dizer que as acusações contra o bispo estavam sendo orquestradas por "esquerdistas". "Osorno sofre, sim, mas por ser tola, porque não abrem o coração para o que Deus diz e, em vez disso, empolgam-se com toda essa bobagem", disse Francisco. José Andrés Murillo, diretor executivo do Para la Confianza, uma fundação chilena que ajuda vítimas de abuso sexual, disse que as pessoas em Osorno ficaram "completamente chocadas" quando o vídeo desse encontro foi divulgado por um canal de notícias da região em outubro de 2015. "Eles esperavam uma reação de compaixão ou compreensão do Papa", mas "receberam essa reação agressiva", disse. "O que as pessoas estão sentindo em relação ao Papa, acho que não é raiva", afirmou. "É tristeza. Como o Papa pode não compreender as preocupações das pessoas?"   'Escute católicos normais' Francisco vai visitar o Chile de 15 a 18 de janeiro antes de viajar ao vizinho do norte, o Peru, até dia 21 de janeiro. A agenda em ambos os países segue um formato familiar: Ele vai passar as noites nas respectivas capitais Santiago e Lima, mas viajar para cidades diferentes em dias consecutivos. Como de costume, o Papa vai se reunir com os presidentes dos países - Michelle Bachelet, no Chile, e Pedro Kuczynski, no Peru -; falar com os bispos de cada país; e liderar encontros de jovens com sacerdotes e religiosos. José Andrés Murillo sugeriu que a atenção no Chile pode se direcionar mais a Francisco na reunião com os bispos do país, no dia 16 de janeiro, e em um possível, apesar de ainda não confirmado, encontro com as vítimas de abuso sexual. "A palavra mais importante, acredito, que os bispos devem ouvir do Papa é para ouvir as pessoas, ouvir os católicos normais", disse. "Os bispos só ouvem pessoas que dizem o que eles querem ouvir. Eles não aceitam a crise que estão enfrentando. E acham que não estão em crise." Questionado sobre um possível encontro com vítimas, Murillo apenas respondeu: "É o que Jesus faria." O Papa, segundo ele, deve "não apenas se encontrar com as vítimas... mas demonstrar que está do seu lado, e não do lado dos agressores".   Desigualdade, corrupção Além da questão do abuso sexual do clero, observadores disseram que esperam que Francisco se concentre em alguns de seus temas comuns de inclusão e cuidado aos que estão à margem da sociedade. O padre jesuíta Matthew Carnes, diretor da Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, disse que esperava que o Papa focasse, em seu discurso do dia de 16 de janeiro, em Bachelet e os outros líderes políticos do Chile a respeito de como o crescimento econômico do país também levou a um crescimento na desigualdade. "Nós vimos crescimento, mas como é o crescimento com a equidade?", sugeriu que Francisco pode perguntar. "Como é o crescimento com a justiça? E como isso atingir especialmente as pessoas que estão à margem?" Poderia ser dado foco na desigualdade com um significado especial, já que Michelle Bachelet, membro do Partido Socialista do país, deve ser substituída em março por Sebastián Piñera, mais de direita. Os peruanos também sugeriram que o Papa pode levantar a questão da desigualdade na reunião com Kuczynski, em 19 de janeiro. Eles também esperam que Francisco levante a questão constante da corrupção em seu país. "A globalização tem trazido muitos progressos no Peru, mas o problema é que o progresso não está chegando ao povo que está à margem", disse o bispo auxiliar de Miami, Enrique Delgado, o primeiro peruano a atuar como prelado nos Estados Unidos. Delgado, que se mudou para os Estados Unidos em 1991 e foi nomeado bispo por Francisco em outubro, disse que muitos trabalhadores no Peru "não estão recebendo a parte que deveriam dos benefícios da globalização". Alfonso Alvarez Calderón, importante advogado civil católico em Lima, disse que esperava que Francisco "convencesse nossos líderes a sair da corrupção e das lutas internas e começar a servir ao povo". Alvarez, que também é advogado canônico no tribunal eclesiástico das arquidioceses de Lima e de Arequipa, disse que esperava que o Papa dissesse aos políticos do Peru que "eles devem lutar pelas necessidades das pessoas, e não apenas por seus próprios confortos e benefícios".   Visita com indígenas Duas outras questões também podem vir à tona durante a visita de Francisco: o estatuto dos povos indígenas do Chile e o legado no Peru da teologia da libertação, que se concentra no papel de Jesus na redenção da humanidade, não apenas do pecado, mas também das condições políticas, sociais ou econômicas injustas. Apesar de o campo da teologia ter surgido em vários países da América Latina nos anos 50 e 60, um de seus principais expoentes foi o peruano dominicano Pe. Gustavo Gutierrez. O campo ainda leva o nome de um texto seu publicado em 1971 que foi um marco: Teologia da libertação: História, Política e Salvação. Segundo Carnes, Francisco pode estar "andando sobre uma linha tênue” no modo como fala sobre a teologia da libertação com os bispos do Peru em sua reunião de 21 de janeiro. Se o Papa repetir muito fortemente as críticas dos liberacionistas ao capitalismo de mercado, poderia ser uma faísca para os interesses comerciais do Peru, que se veem como quem traz nova prosperidade para o país, disse Carnes. Por outro lado, se Francisco evitar mencionar o legado do campo teológico "pode ser um certo desapontamento" para seus líderes, disse. Outro item na agenda do Papa que pode ter alguma controvérsia é a visita que planeja para o dia 17 de janeiro com habitantes da região de Araucanía do Chile, onde os indígenas mapuches vivem desde bem antes de os espanhóis chegarem no século XVI. O governo chileno e os Mapuche estiveram em conflito durante quase três décadas sobre a questão de se o que cai na região deve ser controlado pelo grupo indígena. O conflito por vezes ficou violento, com tiroteios, sequestros e incêndios florestais destrutivos. Para Delfau, há uma "grande divisão" no Chile sobre a proposta de plano do governo Bachelet de oferecer aos indígenas uma maior representação no Congresso e criar uma nova comissão de reparação. Ele disse que apesar de muitas pessoas pensarem que se deve uma reparação aos indígenas, elas não querem recompensar a violência. "A maioria dos nossos povos indígenas são pessoas boas, mas há um grupo que quer briga", afirmou. Paredes considerou o encontro planejado, que acontecerá em Temuco, um "grande reconhecimento" dos direitos dos povos indígenas e disse que pode "permitir um diálogo nacional sobre os direitos dos povos indígenas". "Ao longo da história, essas comunidades ficaram no anonimato no Chile", disse. "Será um grande reconhecimento, e tenho certeza que será fonte de alegria e esperança."