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Mensagem do 4º Congresso Missionário Nacional às comunidades eclesiais o Brasil

Mensagem do 4º Congresso Missionário Nacional às comunidades eclesiais o Brasil

Os participantes do 4º Congresso Missionário Nacional aprovaram no final do evento, na manhã deste domingo, 10, uma mensagem enviada às Comunidades eclesiais do Brasil. Na mensagem, os congressistas reafirmam o compromisso com uma Igreja sinodal, de comunhão e em saída, que leva a alegria do Evangelho a todos os povos. “Impulsionados pela Santíssima Trindade, viveremos esta nossa vocação na sinodalidade e na comunhão, comprometidos com a Igreja em saída que promove o encontro e anuncia a alegria do Evangelho a todos”, diz um dos trechos da mensagem. Organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para Animação Missionária da CNBB e a arquidiocese de Olinda e Recife, o Congresso teve início na quinta-feira, 7, em Recife (PE), e reuniu 700 pessoas de todo o Brasil. Leia, abaixo, a íntegra da mensagem. Mensagem do 4º Congresso Misisonário Nacional às Comunidades Eclesiais do Brasil Vocês serão minhas testemunhas até os confins da terra (cf. At 1,8). Reunidos no 4º Congresso Missionário Nacional, de 7 a 10 de setembro de 2017, no Colégio Damas, em Recife (PE), nós, os 700 missionários e missionárias, vindos de todas as regiões do Brasil, fomos fortemente desafiados a testemunhar “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. A Arquidiocese de Olinda e Recife, com calorosa e fraterna acolhida, levou nosso Congresso para as ruas, antes mesmo de ele ser aberto, com a realização da Semana Missionária, nos seus oito vicariatos, atitude pioneira que enriqueceu nosso encontro. Seremos sempre agradecidos a esta Arquidiocese pela generosidade e disponibilidade que nos dispensou, nesses dias, no autêntico espírito de serviço amoroso e gratuito. Aprendemos com o Papa Francisco que “a alegria é o bilhete de identidade do cristão”. Essa alegria foi o espírito que marcou os quatro dias em que estivemos juntos. Ela nasce do Evangelho que liberta e salva; expressa-se na sinodalidade e na comunhão que impulsionam a vida e a missão da Igreja; anima o testemunho e o profetismo que, a partir da cruz de Cristo, apontam para o nosso compromisso de discípulos missionários e missionárias.   Contemplar a realidade com o olhar de discípulo missionário O exemplo dos mártires e profetas, como Dom Helder Câmara, ajudou-nos a olhar para o Brasil, mergulhado numa profunda crise que fere, no coração e na alma, a nós e a tantos irmãos e irmãs empobrecidos, excluídos e descartados. Como se estivesse anestesiada, a população brasileira assiste ao fortalecimento de políticas neoliberais que retiram direitos e agravam a situação dos trabalhadores/as, dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e dos que vivem em outras periferias geográficas e existenciais. As reformas trabalhista, previdenciária, política e da educação, bem como a retomada das privatizações mostram que o governo e o Congresso Nacional viraram as costas ao povo. A corrupção e a falta de ética, que atingem tanto a classe política, quanto empresarial e outros setores da sociedade, têm levado o desencanto e a desesperança aos brasileiros e brasileiras. Causam-nos indignação a devastação da Amazônia, a degradação da natureza e a violência que ceifa a vida de lideranças, como o assassinato do casal Terezinha Rios Pedrosa e Aloísio da Silva Lara, ocorrido no Mato Grosso nesta semana, e o massacre de indígenas, em agosto deste ano, no Vale do Javari, Amazonas, divulgado enquanto acontecia o Congresso. O decreto do governo que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) é um duro golpe nos direitos dos povos indígenas e no bioma amazônico. Essa realidade, longe de nos desanimar, cobra-nos uma ação missionária vigorosa, transformadora, libertadora. Revigorados pelo espírito da Conferência de Medellín que, há 50 anos, deu à Igreja Latino-americana o rosto de uma Igreja em saída, pobre, missionária e pascal, somos motivados a vencer a tentação da indiferença, do comodismo, do desencanto, do desânimo e do clericalismo presentes em muitas de nossas comunidades. Somos guiados pela fé e pela esperança cristãs capazes de reacender, no coração de todos, a chama do amor pela vida, pela justiça e pela paz.   Discernir os caminhos da missão que gera alegria A palavra de Deus é luz, sabedoria e força que nos tornam discípulos missionários e missionárias ousados e criativos, mais capazes de colaborar com a transformação de estruturas caducas e a construção de uma nova sociedade, que seja sinal do Reino de Deus em nosso meio. Os documentos da Igreja são também fonte salutar que nos ajudam a compreender melhor a natureza missionária da Igreja. Nesse particular, destacamos as palavras e gestos do Papa Francisco, base do conteúdo deste Congresso. É surpreendente como ele se coloca à nossa frente, a passos largos e rápidos. Ele é, verdadeiramente, um profeta missionário que nos anima na caminhada. A missão constitui verdadeiro kairòs, tempo propício de salvação na história. Somos provocados a sair de nós mesmos, deixar nossa terra, tirar as sandálias para “pisar” o solo sagrado do outro, como hóspedes, aqui e além-fronteiras. A proximidade e a reciprocidade levam ao encontro com o outro que faz contemplar o horizonte escatológico do Reino de Deus. Na missão, animam-nos o testemunho e o profetismo de tantas mulheres e homens que encontraram sua alegria no Evangelho e a partilharam com os prediletos de Deus na radicalidade da doação de sua vida. Os profetas e mártires são exemplo de coragem e de fidelidade a Cristo e ao Evangelho até o extremo de entregar a própria vida: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Sustentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, os missionários e missionárias têm, hoje e sempre, a responsabilidade de não deixar morrer a profecia, lembrando que “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Na missão, Aquele que chama e envia, bem como a mensagem enviada e seu destinatário são maiores que o enviado, isto é, o missionário. Sem este, no entanto, não há quem seja enviado e a mensagem do amor de Deus não chega a seus destinatários. O missionário, porém, só cumpre autenticamente a missão se caminhar junto com outros missionários, vencendo a tentação do monopólio da Boa Nova, reconhecendo a riqueza da unidade na diversidade e ultrapassando os estreitos limites da Igreja particular para lançar-se ao mundo. No cumprimento da missão, os evangelizadores se lembrem de que sua alegria não está nos prodígios que possam realizar, no sucesso que venham a alcançar, mas em saber que seus nomes estarão inscritos na “memória afetiva de Deus” por terem sido fieis mensageiros do Evangelho (cf. Lc 10,17-20).   Comprometer-se com Jesus Cristo e o Reino de Deus para uma Igreja em saída O 4º Congresso Missionário Nacional foi o encontro de irmãs e irmãos que partilharam sua fé, suas lutas, suas angústias, seus sonhos, suas esperanças. Durante todo o tempo, sentimos agir em nós o Espírito Santo, protagonista da missão, reforçando nossa convicção de que ser missionário é uma graça e uma responsabilidade. Por isso, renovamos nosso compromisso com a Infância e Adolescência Missionária e com a Juventude Missionária, em união com as demais expressões juvenis, a fim de que crianças, adolescentes e jovens sejam protagonistas da missão onde quer que estejam. Reafirmamos a vocação dos cristãos leigos e leigas como sujeitos na missão. Confirmamos o testemunho das consagradas e consagrados, dos seminaristas, dos ministros ordenados – diáconos, padres e bispos – que cada vez mais assumem a missão como resposta ao chamado de Deus. Impulsionados pela Santíssima Trindade, viveremos esta nossa vocação na sinodalidade e na comunhão, comprometidos com a Igreja em saída que promove o encontro e anuncia a alegria do Evangelho a todos. Assumimos a tarefa de apostar, cada vez mais, nos espaços que nos ajudam a ser uma Igreja sinodal, fortalecendo os organismos e conselhos missionários em todas as instâncias. Para a vivência da missionariedade é imprescindível a atitude da escuta. Contribui para isso a formação missionária contínua que alimenta nossa espiritualidade, cria a cultura da missão e contribui para que todos os batizados assumam sua vocação missionária. Assim, onde estivermos iremos ecoar o refrão que ficou gravado em nossos corações: “Tudo com missão, nada sem missão”. Deixemos arder em nosso peito o apelo do Papa Francisco: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! (…) Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mc 6, 37)” (EG, 49). Maria, Mãe Aparecida, comunicadora da alegria do Evangelho, caminhe conosco!   Recife, 10 de setembro de 2017  Participantes do 4º Congresso Missionário Nacional.  
Crise do Brasil é lembrada no 4º Congresso Missionário em Recife

Crise do Brasil é lembrada no 4º Congresso Missionário em Recife

Por Geraldo Martins O compromisso da Igreja no Brasil com a missão e a crise vivida pelo Brasil foram destaque nos discursos de abertura do 4º Congresso Missionário Nacional, na noite desta quinta-feira, 7, no Teatro Madre Chantal, do Colégio Damas, no bairro das Graças, em Recife (PE). “Esse Congresso pode ser uma injeção de ânimo e unidade para a Igreja do Brasil”, disse o arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido. Ele lembrou o “momento grave da história do Brasil e do mundo”, numa referência à crise pela qual passa o país. “Por mais que estejamos vivendo tempos difíceis no Brasil e no mundo, no campo político e social, temos que testemunhar que esse mundo tem que ser transformado”, disse. Para o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e presidente executivo do Congresso, padre Maurício da Silva Jardim, o Congresso não pode ignorar a grave crise vivida pelo Brasil no momento atual. “É preciso ter presente a grave crise do país e o projeto de submissão do atual governo ao capital financeiro”, disse. “Vende-se e negocia-se nosso patrimônio nacional e a Amazônia é vista como mercadoria”, acrescentou. Em sua opinião, o Congresso Missionário deve ajudar a “redescobrir a esperança e a força da organização dos pequenos que mais sofrem os impactos (com a atual política do governo)”. O Congresso discute o tema “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída” e reúne 700 pessoas vindas de todas as regiões do Brasil. Segundo dom Fernando, esse tema mostra “um jeito novo de viver a missão”. Ele destacou a semana missionária realizada pela arquidiocese em preparação para o Congresso, numa iniciativa pioneira em relação aos congressos anteriores. Dom Fernando recordou a abertura, nesta quarta-feira, 6, das comemorações dos 50 anos da segunda Conferência dos bispos da América Latina e Caribe, realizada em Medellin, na Colômbia, no ano de 1968. Para o arcebispo, foi Medellin que deu à Igreja deste continente um rosto latino-americano. “Foi, sem dúvida, o começo de uma Igreja em saída”, acentuou dom Fernando, lembrando o papel de dom Helder na Conferência de Medellin.   A missão vem de Deus O presidente do Congresso Missionário e da Comissão Episcopal para a Animação Missionária da CNBB, dom Esmeraldo Barreto de Farias, disse que a missão nasce do encontro com Jesus e que ela é obra de Deus. “A missão vem de Deus. Ela não nos afasta das realidades que vivemos, nem nos isola em nós mesmos, mas nos faz mergulhar na realidade para descobrir Deus”, sublinhou. Dom Esmeraldo destacou a importância do testemunho pessoal e comunitário como caminho de evangelização e disse que o Espírito Santo é o protagonista da missão. “O Espírito Santo nos faz ver e compreender o mundo em que vivemos com os olhos da fé. Ele nos faz ouvir o grito de dor e de esperança que brota dos pobres. Ele nos faz sentir o outro para não sermos indiferentes a quem vive na periferia”, afirmou. Ao declarar aberto o Congresso, dom Esmeraldo o comparou a um grande tanque de água e disse que os congressistas devem ser como condutores para fazer essa água chegar ao povo. A vice-presidente do 4º Congresso Missionário e presidente da Conferência Nacional dos Religiosos (CRB), Irmã Maria Inês revelou sua alegria ao ver que, “cada vez mais, cresce o número de leigos e leigas na missão”. Ela sublinhou o testemunho do bispo vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, que ficou preso durante treze anos, de 1975 a 1988. Deixando a prisão, foi nomeado pelo papa João Paulo II presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e criado cardeal em 2001, morrendo no ano seguinte aos 74 anos. “Somos missionários e missionárias aqui, agora e sempre, em nossas comunidades e além-fronteiras, aonde o Senhor nos levar”, disse a religiosa. “Se o coração não arde, os pés não andam”, finalizou. A cerimônia de abertura do Congresso foi conduzida pelo seu secretário executivo e coordenador de pastoral da arquidiocese de Olinda e Recife, padre Josenildo Tavares. No início da cerimônia, foi feita a entronização da imagem de Nossa Senhora Aparecida ao som da música Romaria, na voz de Cristina Amaral. Fez-se também a entrada das bandeiras da Infância e Adolescência Missionária (IAM) e da Juventude Missionária (JM). A oração foi conduzida pela equipe da Arquidiocese anfitriã. Uma encenação protagonizada pelas crianças e adolescentes da IAM do Vicariato do Cabo, da arquidiocese de Olinda e Recife, encerrou a cerimônia de abertura. Muito aplaudidas pelos congressistas, as crianças e adolescentes interpretaram o sentido da missão e do 4º Congresso Missionário acolhido pela capital pernambucana. Na quadra esportiva do Colégio Damas, onde foi servido o jantar, houve apresentação cultural encerrando as atividades do primeiro dia. A programação segue nesta sexta-feira, dia 8, com duas conferências, 24 oficinas e o lançamento da Campanha Missionária 2017. Baixe aqui a Programação completa Confira aqui mais notícias sobre o Congresso Assessoria de Comunicação do 4º CMN.